O REMÉDIO DA FARMÁCIA – Drogarias Big Ben Escaparão da Falência?

Existem enfermidades que são de difícil diagnóstico e fácil cura e outras doenças de facílimo diagnóstico, porém, dificílima cura. Todos nós já tivemos gripe ou catapora ou caxumba e tivemos que aceitar a doença sem poder fazer nada. Mas existem vacinas para os mais precavidos.

 

As organizações empresárias são como organismos vivos que têm “doenças” que podem ser evitadas. Má-contratação de mão-de-obra que pode gerar passivo trabalhista, ausência de compliance tributário gerador de débitos fiscais ou mesmo uma estratégia de negócio equivocada são riscos que todos os empresários enfrentam, mas, que poderiam ser mitigados.

 

Crescimento sustentável

 

Muito se fala em “sustentabilidade” como atributo da organização que mitiga os danos ao meio ambiente, esquecendo muitos que a expressão sustentabilidade tem como principal significado as ações que garantam a perenidade da organização, sua permanênia no tempo e no espaço. A sustentabilidade é da empresa, não do planeta.

 

A rede de farmácias Drogarias Big Ben provavelmente cresceu demais, de forma pouco sustentável, porque embalada na pujança econômica da China e dos Brics decorrente da alta do preço das commodities e a política Lulo-petista de promover o desenvolvimento não pela produção, mas, pelo crédito fácil e consumo. O Estado do Pará não tem vocação para a inovação e indústria manufatureira (transformação) senão a produção de matérias primas e revenda de produtos fabricados na região centro-sul do Brasil.

 

As Drogarias Big Ben praticamente revendem medicamentos e produtos de higiene fabricados no Estado de São Paulo. Mas, com a alta das commodities que levou à euforia dos Brics e a impressão de que o Brasil havia ficado rico por políticas equivocadas da Era Lula, muitas empresas passaram a prestar serviços financeiros com alvo na Classe C emergente…

 

Foco como estratégia competitiva genérica

 

A falta de foco ou mesmo a resistência de empresas do Pará em digitalizar processos produtivos já haviam sido comentados em nosso artigo “O Que a Crise da Y.Yamada Pode Ensinar Sobre Planejamento Tributário”.

 

Voltando as Drogarias Big Ben, em consulta a lista de links do site da RCF – Recuperação de Créditos Fiscais, onde nossos colaboradores e clientes têm acesso à informação estratégica acerca da empresa, concorrentes e fornecedores, notamos que o site das Drogarias Big Ben é antiquado, com poucas atrações ou utilidades públicas, e o que é pior, sem vendas on-line (!?). Não é crível que em plena Era Digital onde 9 em cada 10 brasileiros estão conectados à Internet com um smartphone as Drogarias Big Ben não tenham redirecionado suas vendas ao universo on-line, que substituiu ao menos em 30% das vendas off-line, as vendas diretas no balcão das lojas físicas.

 

O “programa amigo” e outras ações de fidelização e concessão de crédito desviaram as Drogarias Big Ben de seu ponto porte: Revenda de produtos farmacêuticos a preços baixos, competitivos.

 

Com a “queda” do poder de compra da Classe C e a concorrência com aplicativos de revendas on-line, as Drogarias Big Ben antes apoiada na capilaridade de suas lojas físicas – de custos operacionais altíssimos – viu seus lucros despencar. Jack Ma, o homem mais rico da Ásia, dono do site Alibaba, teria dito sobre a digitalização dos processos produtivos de empresas de revenda de produtos que “Se o Walmart quiser ter 10 mil novos clientes, ele terá que construir toda uma estrutura. Eu preciso apenas de dois servidores“.

 

Com a perda de receita vem a inadimplência de obrigações fiscais, trabalhistas e previdenciárias e as consequentes execuções tributárias, multas e passivo trabalhista, fatais para qualquer empresário. A crise econômica fez muitos clientes da RCF se endividar com governos ou bancos. São mais críticas aquelas que têm dívidas com ambos.

 

Os maiores grupos econômicos do Estado do Pará ou extraem recursos minerais ou revendem produtos manufaturados de outros estados, razão pela qual os paraenses revendedores deveriam se especializar em marketing? Nesse caso, por que ignoram o marketing digital como ferramenta de aumento das vendas?

 

Ora, o processo produtivo do setor de varejo é basicamente comprar o mais barato possível, o que geralmente envolve negociação direta com o produtor seja onde ele estiver, e elaborar uma estratégia de marketing & força-de-vendas, on-line e off-line. Esse deve ser o foco do varejo. E quando digo foco quero dizer fazer uma coisa só, nada de fazer tudo para todos; oferecer serviços financeiros; abrir lojas em cidades ou bairros sem estudo de mercado; oferecer no mesmo ponto-de-revenda tanto produtos com quanto sem Código Especificador da Substituição Tributária (CEST) – que não precisam recolher ICMS porque já quitado pelo produtor ou distribuidor de origem –, dificultando a estratégia da simplificação e redução do passivo tributário; insistir em produtos que vendem pouco e se acumulam no estoque, quebram, estragam e demandam mais mão-de-obra.

 

Às vezes, é melhor não prestar serviços ou não revender produtos que tiram o foco. Saber dizer “não” à tentação de estar lá, fazer isso, vender aquilo, tudo para todos etc.

 

O remédio das Drogarias Big Ben para escapar da falência

 

Não acessei os sites da Receita Federal do Brasil e das Justiças federal, estadual e do trabalho para saber o tamanho do problema das Drogarias Big Ben. Mas, sei que “escorregar não é cair” portanto as Drogarias Big Ben podem manter suas lojas físicas que ainda apresentam lucro e fechar as demais, geralmente observando-se a famosa Regra de Pareto: 80-20.

 

Segundo pesquisa da Sociedade Brasileira de Varejo de Consumo (SBVC), a partir do ranking das 300 maiores companhias do setor em vendas em 2015, um dos pilares do sucesso dessas organizações são a) negociações favoráveis na compra e b) prestação de serviço ao cliente.

 

Em reportagem do jornal Valor EconômicoExtrafarma negocia a compra da Big Ben”, de junho de 2016 – portanto há 1 ano -, a rede de farmácias Big Ben foi descrita como a maior do Norte do País, com 257 lojas, de receita bruta anual de R$ 1,5 bilhão e, até ser vendida para a BR Pharma em 2011 por R$ 453 milhões, era rentável e lucrativa. E que desde janeiro de 2016, a empresa deixou de ser presidida pelo fundador Raul Aguilera.

 

Matéria “BTG prepara venda de grupo de farmácias BR Pharma por R$ 1” de O Estadão de fevereiro de 2017 informou que o banco controlador do grupo BR Pharma, que hoje “se resume às redes Big Ben, Farmácia Santanna e à cadeia de franquias FarMais”, quer se desfazer dessas redes de farmácias regionais porque suas operações não revelaram lucros.

 

Em setembro de 2012 o controle acionário da Rede Celpa também foi vendido para o Grupo Equatorial pelo preço simbólico de R$ 1,00… E os problemas da Rede Celpa não acabaram

 

Portanto, se os conselhos sobre o foco como estratégia genérica e melhoria das ações de marketing digital e as recomendações da SBVC sobre negociar melhor os preços com os produtores e melhorar o atendimento aos clientes não servirem para o atual dono das Drogarias Big Ben, quer porque quer se desfazer do negócio quer porque o banco não tem experiência no varejo senão operações financeiras e societárias, servem ao menos aos futuros compradores da Big Ben.

 

E passados mais de 5 anos da venda das Drogarias Big Ben pelo brilhante Raul Aguilera, que soube agir no momento certo, ao menos resta a tranquilidade de saber que o banco paulista tem condições de arcar com eventuais passivos tributários, trabalhistas e previdenciários em favor do povo paraense. E se as Drogarias Big Ben tiver credores, é recomendável que esses promovam ações de cobrança agora enquanto o BTG Pactual ainda é o dono e quer se desfazer do negócio.

 

SOBRE O AUTOR

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Gabriel Farias é diretor da RCF – Recuperação de Créditos Fiscais, empresa de Inteligência Tributária especializada em planejamento fiscal, sucessório e proteção de ativos financeiros. Como Advogado tributarista, tem pós-graduação em Direito Tributário pela Universidade da Amazônia (2007) e ajuda empresas a enfrentar problemas fiscais, trabalhistas e previdenciárias.

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